Comportamento opositor desafiante: o que é e como lidar?
- Psikika

- 6 de ago. de 2025
- 3 min de leitura

Certamente já se deparou com situações caricatas que envolvem crianças. Seja pelas famosas birras de supermercado, pelo “mau feitio”, pela agressividade, pela dificuldade em cumprir regras, etc. Um conjunto de comportamentos que caracterizam os “meninos mal comportados” e que escondem aquilo que realmente a criança está a sentir.
Observamos, em contexto clínico um aumento da prevalência dos problemas de comportamento sobretudo em idades mais precoces. A sua expressão tem vindo a aumentar de tal modo que além da perturbação do comportamento e da conduta, foi incluida do manual diagnóstico de doença mental a perturbação de oposição e de desafio.
O que é, afinal, a pertubação de oposição e desafio?
Segundo o DSM-5 caracteriza-se por um padrão recorrente de comportamento negativista, hostil e desafiante, que interfere de um modo significativo com o desempenho familiar, escolar ou social das crianças ou adolescentes.
Os sintomas tendem a manifestar-se em idade pré-escolar havendo uma intensificação dos comportamento descritos, nomeadamente:
Humor irritável:
Perde a calma com frequência
É facilmente incomodado
Está com frequência zangado e ressentido
Comportamento Argumentativo/Desafiante:
Argumenta frequentemente com os adultos
Incumprimento das regras
Irrita e perturba outras pessoas
Culpa os outros pelo seu mau comportamento
Índole Vingativa:
Comportamento ressentido e com necessidade de vingança
Deve considerar-se que para o diagnóstico ser validado, o comportamento verifica-se com frequência e intensidade por um período igual ou superior a 6 meses, está associado a sofrimentos para o indivíduo ou para os que o rodeiam, não sendo os sintomas explicados por outra perturbação.

No que se refere às causas destas alterações do comportamento, são multifatoriais, sendo referida a influencia de fatores biológicos – história familiar de: perturbação de desregulação do humor disruptivo, perturbação do humor, abuso de álcool ou substâncias; alterações cerebrais em áreas responsáveis pelo controlo de impulsos; fatores psicológicos ou sociais – baixo estatuto socioeconómico, abuso, ausência ou negligência parental, ambiente familiar instável e desorganizador.
Do ponto de vista da intervenção, a investigação aponta a importância de ser multidimensional, com recurso a diferentes abordagens terapêuticas. A terapêutica farmacológica poderá ser indicada em alguns casos como forma de reduzir os sintomas associados a agressividade e desregulação do humor, contudo deverá ocorrer em conjunto com a psicoterapia (individual ou familiar). A psicoterapia é considerada o tratamento de primeira linha, que revela uma grande percentagem de casos a registar uma redução significativa nos comportamentos opositores e de desafio mencionados, assim como uma melhoria nas capacidades de integração e adequação social.

A família é considerada um pilar fundamental para a criança, nesse sentido deve ser integrada na intervenção, através do estabelecimento de uma aliança terapêutica como forma de obter a sua máxima colaboração e potenciar os resultados obtidos. Alguns autores salientam a importância da análise conjunta das forças e vulnerabilidades da criança ou adolescente nos diversos níveis e áreas de vida, de modo que seja possível contextualizar e compreender os comportamentos. A intervenção na família, deverá incluir o aconselhamento parental, para que os pais consigam adquirir competências que lhes permitam lidar de forma mais empática e construtiva com a criança ou jovem.

Da experiência decorrente da observação
e prática clínica, considera-se que mais importante do que a atribuição do diagnóstico é a compreensão da criança e do seu contexto familiar, escolar e social. A consideração da história de vida da criança, o seu desenvolvimento e contexto de vida atual, conjugando com as suas características individuais são imprescindíveis para a definição de um plano de intervenção adequado.
Sabemos que os comportamentos disruptivos, de desafio e oposição surgem geralmente como manifestação de uma desregulação interna, em alguns casos associados a grande sofrimento psicológico (e/ou físico), como um pedido de ajuda ou uma chamada de atenção para a criança e para o seu sentir.
Seria importante, antes de rotular, seja por mau comportamento, irrequietude, ansiedade ou outro tipo de “patologia”, observar, escutar a pessoa compreender aquilo que oculta nas palavras e revela através do corpo.
Estamos aqui, na PSIKIKA, para o ajudar.
91 425 07 10
Um até já PSIKIKO,
BB.




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